Recente pesquisa realizada pelo Núcleo de Gestão Empresarial do centro universitário FACIG / CNEC entre os meios de hospedagem do Rio de Janeiro apontou deficiências e desafios para o setor hoteleiro frente às demandas dos próximos megaeventos.
Para o desenvolvimento da pesquisa foi realizado um cruzamento de informações entre os hotéis indicados pela RioTur para os megaeventos (principalmente Rio 2016) - cerca de 60 - e aqueles credenciados pela FIFA (MATCH) para a Copa 2014 - cerca de 80 para o Rio de Janeiro.
Dessa análise, uma população resultante de 34 hotéis (Região 2 – Copacabana) foi utilizada para extrair a amostra da pesquisa.
A coleta de dados foi feita por meio de entrevistas pessoais com os gerentes dos hotéis da Região 2 – Copacabana, que vai desde a Lagoa Rodrigo de Freitas, atravessa toda a orla da Zona Sul, passa pelo Flamengo e chega às proximidades do Aeroporto Santos Dumont.
A pesquisa foi bem aceita nos hotéis e respondida com bastante clareza, certeza e sutileza.
Na referida pesquisa, foi adotada a matriz de avaliação de valor de Chan Kim como ferramenta de diagnóstico dos meios de hospedagem com relação ao seu posicionamento para atender às demandas provenientes dos grandes eventos que estão por vir.
A matriz de avaliação de valor permite captar a situação atual no espaço de mercado conhecido. Isso permite que a empresa compreenda em que os concorrentes estão investindo, os atributos nos quais se baseia a competição em termos de produtos, serviços e entrega, e o que os compradores recebem como clientes de qualquer das ofertas competitivas existentes no mercado.
A pesquisa elencou os atributos valorizados pelo mercado e os separou nas seguintes dimensões:
- Infraestrutura;
- Serviços;
- Sustentabilidade; e
- Acessibilidade.
Para as três primeiras dimensões – infraestrutura, serviços e sustentabilidade – os atributos de valor basearam-se nas especificações da Matriz de Classificação de Meios de Hospedagem – Hotel, do SBClass (Sistema de Classificação de Meios de Hospedagem), segundo Portaria Ministerial MTur Nº 100/2011.
Para a quarta dimensão – acessibilidade – os atributos de valor basearam-se nas especificações da Norma Técnica da ABNT, NBR 9050:2004.
Todos os atributos de valor, para as quatro dimensões, foram então transformados em afirmações a serem contestadas pelos respondentes em uma escala Likert de intensidade variando de um a sete.
Os resultados das pesquisas mostraram grandes desafios a serem suplantados para uma oferta adequada de serviços demandados pelos megaeventos emergentes aos meios de hospedagem do Rio de Janeiro.
Aparentemente a preocupação atual do setor de hotelaria reside apenas na oferta de unidades habitacionais, ou seja, no número de quartos disponível para atender ao público-alvo.
O setor hoteleiro do Rio de Janeiro não está preocupado em atender seus clientes sob o ponto de vista de prover tecnologia necessária à conveniência de assistir aos jogos, quer sejam de futebol na Copa, quer sejam de atletismo nas Olimpíadas.
Com o advento das redes sem fio Wi-Fi e a TV a cabo, disponíveis nas unidades habitacionais, as áreas comuns de lazer dos hotéis que antigamente ofereciam salas de TV, home theaters e áreas de convivência foram utilizadas para outros fins. Desse modo, os hóspedes só têm o próprio quarto, na grande maioria dos hotéis do Rio de Janeiro, para assistirem os jogos e acompanharem as competições.
Em nenhuma das entrevistas realizadas foi constatada a preocupação no atendimento a pessoas portadoras de deficiências ou que necessitem cuidados especiais, com exceção de um hotel, cuja proprietária é cadeirante. Sequer conheciam a Norma Técnica da ABNT, NBR 9050:2004. Isso é alarmante, uma vez que estamos às vésperas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.


