
Vários países candidataram-se a sediar a Copa do Mundo de 2014, o Brasil entre eles. Na primeira classificação o critério prioritário, segundo a FIFA, era a comodidade das seleções: instalações esportivas (estádios e locais de concentração e treinos); distância entre locais de jogos e concentração; e condições de transporte.
Em seguida, vinham questões de segurança, garantias econômicas e geopolíticas (estabilidade política). Os demais critérios deveriam basear-se nos pontos a favor e contra das diversas candidaturas, que estão relacionados a seguir.
Pontos a favor:
- Apoio do público e do governo;
- Belos cenários naturais;
- Diversidade étnica e cultural;
- Grande número de hotéis de boa qualidade;
- Experiência anterior com a realização de Copas do Mundo; e
- Limpeza e Segurança.
- Poluição;
- Abastecimento precário de água;
- Temperatura excessivamente alta;
- Alto índice de criminalidade e violência;
- Sérios problemas de trânsito;
- Transporte público deficiente; e
- Dúvidas quanto à qualidade da administração do evento.
Uma vez que os critérios principais de seleção baseiam-se primordialmente em aspectos de infraestrutura física, segurança, macroeconômicos e geopolíticos, é natural que os aspectos tecnológicos mais uma vez tenham sido relegados a um segundo plano.
Dizemos mais uma vez, porque é comum, por incrível que pareça, organizadores de grandes eventos recaírem nesse erro, não levarem em consideração a priori os aspectos tecnológicos. Os exemplos são inúmeros. Como explicar uma Taça Davis de Tênis na Ilha de Comandatuba, uma ilha paradisíaca, um hotel de sonhos, mas a dezenas de milhas da costa da Bahia, com toda dificuldade para se trasmitir um sinal de TV do local. Ou uma Copa América de Futebol ou uma Libertadores, em cidades da Bolívia ou Equador a mais de 3.000 metros de altitude, onde amplificadores de alta potência não funcionam devido ao ar rarefeito.
Os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, já começaram. Espalhados nas 12 cidades-sede, os comitês organizadores colocam no papel sua seleção de ideias para apoiar a realização e a transmissão deste espetáculo. Mas, na disputa por espaço nas discussões para angariar investimentos para os projetos, os setores de tecnologia da informação e telecomunicações estão perdendo de goleada para outras verticais da economia.
Atualmente, pelos motivos acima expostos, vemos esforços e orçamentos vultosos já definidos sobre as reformas aeroportuárias, hoteleiras e de saneamento básico, mas nenhuma ou pouca discussão sobre como será trafegado o volume imenso de dados de um evento que tem tudo para ser um marco na história brasileira da digitalização das comunicações.
No Ministério das Comunicações, há uma avaliação em andamento numa comissão especial, vinculada ao Ministério dos Esportes. Mas ainda não existe cronograma montado, nem previsão de finalização deste primeiro parecer. Somente a partir do resultado do trabalho inicial será elaborado todo o plano para o evento.
A discussão deveria estar muito mais avançada, uma vez que a Copa coloca em jogo mais do que grandes times nacionais em disputas acirradas. Ser palco de um evento desta proporção é a chance do País avançar décadas de desenvolvimento em somente alguns anos.
Para se ter uma ideia, em São Paulo os investimentos de R$ 32 bilhões previstos vão renovar várias infraestruturas, de turismo à energia, que estavam previstas para serem feitas até 2020, mas que em virtude da Copa serão adiantadas. Contudo, não há nada definido em termos de TI e telecom.
Apesar da FIFA não ter levado primordialmente em conta os aspectos tecnológicos, talvez por considera-los commodities, preparou a posteriori um documento, onde somente algumas recomendações são detalhadas. Há exigências irrevogáveis como a capacidade de lidar com HDTV, uso de tecnologias que não sejam proprietárias e do protocolo IP. Mas não há nada que impeça os governos locais de escolherem o fornecedor adequado.
Os contratos no Brasil são feitos por meio de parcerias público-privadas (PPP) ou pela Lei 8.666, que rege as licitações públicas. Em Fortaleza, por exemplo, o Estádio Governador Plácido Castelo, o Castelão, será cercado com um anel de fibra óptica e abrigará um moderno data center. Tudo preparado para trafegar imagens de alta definição (HDTV), uma das exigências da FIFA, a velocidades que variam de 1Gb a 10Gb. Os trabalhos já iniciaram e devem estar prontos ainda em 2010.
Estas são iniciativas do Governo para atender a uma lista mínima de exigências com relação à instalação do IBC (International Broadcast Center), entrega à FIFA dos sinais oficiais para transmissão internacional e atendimento à imprensa e agências internacionais de notícias.
Porém as empresas nacionais e multinacionais de TI e Telecom estabelecidas no Brasil não podem esperar para traçar seus planejamentos estratégicos com relação ao atendimento das inúmeras oportunidades de negócios que existem e se apresentam em um mega evento como uma Copa do Mundo.
Esta é uma oportunidade única, que acontece como sabemos de quatro em quatro anos, capaz de alavancar empresas e enriquecer empresários mais antenados. Faltam apenas cinco anos para a realização do evento que vai ficar conhecido nos meios de tecnologia como a Copa da Convergência. Os executivos brasileiros devem decidir rápido se irão participar ativamente deste mega evento e tirar o máximo de proveito para suas empresas ou apenas assistir e torcer pela seleção.
Desenvolveremos uma sequência de artigos mostrando as oportunidades de negócios que envolvem uma Copa do Mundo de Futebol.








