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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cloud Computing requer Atenção para Performance

Cloud computing é um modelo para possibilitar acesso à rede sob demanda, com ubiquidade e conveniência a um pool de recursos configuráveis de computação (ex., redes, servidores, armazenamento, aplicações, e serviços) que podem ser rapidamente provisionados e liberados com mínimo esforço de gerenciamento ou interação com o provedor de serviço (NIST – National Institute of Standards and Technology).

A nuvem (cloud) é definida como uma estrutura que satisfaz cinco axiomas formais:
  1. Comum – recursos comuns ou compartilhados
  2. Independente de Local – amplo alcance a usuários onde estiverem 
  3. Online – utilizados através de uma rede  
  4. Utilidade – precificação sensível ao uso 
  5. Sob Demanda – recursos acessados quase instantaneamente

Exemplos de serviços relacionados a cloud computing incluem: alocação de servidores e storage sob demanda – IaaS (Infrastructure as a Service); ou SaaS (Software as a Service) como CRM ou SFA.

Segundo pesquisa da MBI no Brasil, entre os aplicativos que estão em fase de migração para a nuvem, a liderança é do ERP (17,9% em servidores externos compartilhados em um provedor e 9,9% em servidores dedicados em um data center), seguido por HRM (servidores externos com 17% e dedicados a um data center 10,1%) e CRM (da mesma forma, 15,6% e 9,4%).


A pesquisa avaliou ainda o conhecimento dos entrevistados quanto às camadas da computação em nuvem, SaaS, IaaS e PaaS (Platform as a Service), destacando-se a maior familiaridade com o primeiro (40,2%). IaaS e PaaS tiveram índices de familiaridade de 34,6% e 26,9%.

Cloud computing pode trazer muitos benefícios, como redução de custos, crescimento de receita, aumento da agilidade de negócios e melhorias na experiência do cliente.

No entanto, para que a experiência do cliente seja realmente satisfatória, alguns pontos de atenção devem ser devidamente endereçados com relação à performance das aplicações.



As pessoas geralmente se referem à Internet como uma entidade única. Entretanto atualmente são aproximadamante 13.000 redes diferentes conectadas em frágil cooperação para formar a Internet, com cada rede provendo acesso a um pequeno subconjunto de usuários dentro de uma população de usuários de Internet. Assim sendo, a performance de qualquer aplicação web hospedada de forma centralizada - incluindo aquelas entregues via provedores de cloud computing - recai pesadamente sobre a performance geral da Internet. E a infraestrutura da Internet inclui muitos pontos de falha, quatro deles são tradicionais ofensores à performance das aplicações web. Estes tradicionais pontos de falha incluem:
  • Data Center;
  • Backbone do Provedor de Serviço;
  • Pontos de Peering; e
  • Conectividade de Última Milha (Last-mile). 
Data Centers, o primeiro ponto de falha, crescem em complexidade à medida em que arquiteturas de multi-camadas, virtualização e outras novas e sofisticadas tecnologias crescem em popularidade. Esta complexidade dificulta o trabalho de profissionais de TI e de negócios na tentativa de assegurar disponibilidade e performance das aplicações.

Em adição, toda vez que uma transação de uma aplicação deixa o Data Center, tem que atravessar o backbone do provedor de serviço (ISP - Internet Service Provider), o segundo ponto de falha. Neste ponto, a performance da aplicação está fora do controle da empresa e estará sujeita a qualquer incidente eventual que ocorra no backbone, congestionamento de tráfego e quedas operacionais.

Mesmo que a transação da aplicação atravesse com velocidade o backbone do provedor de serviço, o peering de rede pode retardar a aplicação. Como terceiro ponto de falha, Pontos de Peering (pontos de interconexão - conexão entre backbones de administrações diferentes) representam links fracos em uma cadeia já imprevisível. Peering ocorre quando duas redes individuais se conectam e trocam tráfego em suas bordas. O uso de Internet de banda larga impõe uma complexidade crescente que afeta muito a entrega das aplicações. Esta complexidade resulta de pontos de peering saturados que tem que servir a um mix de provedores, CDNs (Content Delivery Networks), provedores de Cloud, múltiplos browsers e múltiplos dispositivos.

O quarto ponto de falha - a última milha (last mile) - também pode dificultar a performance da aplicação. A conexão entre o usuário final e o backbone do provedor de Internet é sempre um problema. Por décadas venho pregando que deveria ser chamada primeira milha, porque deveria sempre ser vista pela perspectiva do cliente (não um usuário) e não pela do provedor. Se a conexão fica lenta por qualquer razão, a experiência do cliente sofre.

De acordo com pesquisa da MBI, no Brasil a conexão das empresas com a Internet é liderada pela fibra óptica (41,8%), seguida por conexão dedicada/linha privada (14,4%) e ADSL (13,7%), entre outras tecnologias. 

Neste contexto já complicado, a utilização de cloud computing pode aumentar o problema. Um quinto ponto de falha é adicionado à complexidade da cadeia de entrega da aplicação. Muitos provedores de cloud (CSPs - Cloud Service Providers) tem arquitetado suas nuvens de uma forma que fazem com que suas aplicações web tenham performances desiguais. Frequentemente, CSPs centralizam a origem das aplicações que entregam, ao contrario do que se acredita amplamente que tudo em cloud é entregue em um número bem distribuído de servidores de origem. Além disso, a atividade de aplicações vizinhas afeta todas as outras aplicações na nuvem. Como uma infraestrutura compartilhada, a performance da nuvem para todas as aplicações sofre quando qualquer inquilino em particular experimenta um pico de demanda. Um pico de tráfego de um inquilino significa menos infraestrutura disponível para os demais. Essas diferenças de arquitetura de cloud devem ser pontos de atenção para proprietários de aplicações, uma vez que a adoção crescente de cloud computing é inevitável.

De acordo com o IDC, o mercado global para serviços públicos de cloud computing alcançou US$ 21.5 bn em 2010. A previsão do IDC para serviços de nuvem pública é chegar a US$ 72.9 bn em 2015 - uma taxa composta de crescimento anual (CGAR) de 27.6%, sendo que os gastos com cloud computing pelos clientes devem triplicar até esta data.

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