Em nosso artigo de 10 de junho, intitulado "Construindo Negócios em Tempos de Crise", comentamos que oportunidades encontram-se em diversos setores a longo prazo, mas que em tempos de crise, deve-se olhar mais atentamente o mercado e observar oportunidades no curto prazo. Em tempos difíceis, deve-se olhar para as áreas mais sofridas, dar soluções para a dor.
Acrescentamos que um dos setores que apresentam desafios neste cenário de crise é o setor de serviços financeiros, que embora confuso, existem bolsões de oportunidade para especialistas em serviços de leasing, pagamentos, recuperação de crédito, hipotecas etc.
Mais recentemente, no artigo "Fusões e Aquisições: Oportunidades para Integração", de 24 de junho, falamos que dentre os desafios que as instituições financeiras brasileiras terão que empreender, estão grandes esforços de integração de sistema ocasionado pelas ondas de fusões e aquisições. Em adição, iniciativas de trocas de plataformas tecnológicas, busca por eficiência operacional, adequação a projetos regulatórios como o Débito Direto Autorizado (DDA), Basiléia II e truncagem de cheque. Isto tudo em um cenário macroeconômico turbulento, que exige mudanças rápidas e lançamento de produtos.
Desde junho os bancos brasileiros começaram os testes e homologação da tecnologia que atenderá o projeto de Débito Direto Autorizado (DDA). A iniciativa prevê apresentação eletrônica de boletos de cobrança, eliminando a impressão em papel. Diferente do débito automático, os clientes que aderirem ao serviço podem escolher as contas que serão pagas - num processo muito semelhante ao atual só que restrito ao ambiente virtual.
A iniciativa lançada pela Febraban em novembro de 2008 começa a operar, efetivamente, em 19 de outubro. O projeto, que conta com parceria da Câmara Interbancária de Pagamento (CIP), prevê redução drástica no volume de dois bilhões de boletos de cobrança emitidos anualmente, no Brasil. A entidade calcula que 50% dos usuários entrem no serviço nos próximos três anos.
Num esforço conjunto para formatação do projeto, praticamente todas instituições financeiras nacionais participaram da definição das diretrizes do DDA, em parceria com a CIP e com a Febraban.
Para se ter uma ideia do tamanho das oportunidades, o projeto de adequação da infraestrutura tecnológica ao serviço no Bradesco consumiu 81 mil horas de trabalho e recebeu cerca de R$ 6 milhões em recursos. A medida deve reduzir consideravelmente os gastos da instituição com papel. Pelas contas do banco, são emitidos cerca de 40 milhões de boletos anualmente.
Já o Itaú-Unibanco mensurou os impactos em tecnologia e ampliou links de comunicação além de aumentar a capacidade de servidores. Os equipamentos hoje utilizados permitem dobrar o volume de transações atuais da instituição.
Não há como apresentar um número exato, mas a diretoria de produtos do Itaú-Unibanco, calcula que milhões de boletos de cobrança sejam processados mensalmente pela instituição representando 25% do volume físico do mercado.
O Itaú-Unibanco projeta que, a partir de 19 de outubro, cerca de 30% dos documentos registrados sejam pagos por meio do DDA. Se a adesão ao DDA for maior do que 30% projetados inicialmente, nasce a possibilidade de ampliar ainda mais a infra.
Segundo a Febraban, 70 bancos aderiram ao DDA. A instituição calcula que esse total representa 99,9% das emissões desse tipo de documento no País. Desde 22 de junho, os interessados em aderir ao conceito podem se cadastrar para receber cobranças de forma eletrônica nos bancos de suas preferências. Nos quatro meses seguintes, os bancos montarão cadastros de usuários.
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