GoDaddy.com

sábado, 30 de maio de 2009

Inovação em Produtos em Ambientes Turbulentos

Quando se fala de inovação em produtos, vamos encontrar na literatura de marketing diversas conceituações que variam entre duas posições:
  1. O conceito mais amplo: o novo produto seria qualquer tipo de inovação ou aprimoramento no portfólio de produtos da empresa; e
  2. O conceito mais restrito: o novo produto seria apenas aquele inédito, totalmente novo e original.

Entre esses extremos, uma série de classificações foram desenvolvidas por vários autores. A análise dessas diversas classificações indica a existência de duas dimensões em análise: a inovação para o mercado e a inovação para a empresa.

Um produto pode ser novo para a empresa e já conhecido no mercado; e pode ser conhecido pela empresa (que o comercializa em outro mercado, atendendo a outra necessidade ou em outra área geográfica) e novo para o mercado específico.

Na prática, ocorre uma maior concentração de lançamentos entre os produtos com menor grau de inovação. O famoso estudo da Booz-Allen & Hamilton, com 700 entre as 1.000 maiores empresas americanas, revelou a seguinte distribuição para os 13 mil novos produtos desenvolvidos durante os cinco anos anteriores ao estudo:

  • 10% eram "produtos novos para o mundo";
  • 20% eram "novas linhas de produto";
  • 26% eram "adições a linhas de produto já existentes";
  • 26% eram "melhorias e revisões de produtos já existentes";
  • 11% eram "reduções de custo"; e
  • 7% eram "reposicionamentos".

Uma das áreas de estudo que tem recebido a atenção dos pesquisadores é referente ao sucesso e fracasso de novos produtos. Algumas avaliações indicam que a taxa de fracasso pode se situar entre 75 a 80%. Por fracasso do produto, Kotler define três níveis:

  • Fracasso absoluto - em que se perde dinheiro e suas vendas não cobrem os custos variáveis;
  • Fracasso parcial - em que se perde dinheiro, mas suas vendas cobrem todos os custos variáveis e alguns dos custos fixos; e
  • Fracasso relativo - em que há um lucro que é menor do que a taxa normal de retorno da empresa.

Porém, nem todos os lançamentos de novos produtos obedecem exclusivamente a critérios de vendas ou lucros. Alguns autores consideram um projeto bem-sucedido como aquele que a gerência acha que faria novamente. Outros, medem o desempenho do novo produto levando em conta tanto vendas e lucros como também o papel desempenhado por esse produto na estratégia geral da empresa. Há ainda aqueles que utilizam um conjunto de medidas para o sucesso, entre as quais: proporção de produtos que atendiam ou excediam os requisitos de lucratividade da empresa; participação no mercado; consecução dos objetivos de venda; rapidez no desenvolvimento e lançamento; e grau de inovação tecnológica.

No Brasil, estudos mostram que 60% das empresas utilizam vendas como critério para avaliar seus novos produtos.

As decisões por novos produtos tornam-se particularmente difíceis em ambiente turbulentos, caracterizados por rápidas mudanças, como é o caso do mercado de telecomunicações no Brasil desde a privatização e agravado recentemente pela crise econômica mundial. As recomendações seguintes, colhidas de numerosos estudos e pesquisas realizados, referem-se a políticas de novos produtos em ambientes turbulentos:

  • Oferecer maior diferenciação de produto;
  • Oferecer produtos premium ao segmento mais nobre do mercado ou produtos baratos ao segmento mais baixo, evitando a posição intermediária;
  • Oferecer produtos que incorporem elementos de conveniência;
  • Oferecer novos produtos que sejam mais simples, mais funcionais e mais práticos;
  • Reduzir o número de novos produtos lançados;
  • Usar mais pesquisas de mercado em apoio à introdução de novos produtos;
  • Lançar produtos com marcas próprias; e
  • Focalizar em valor e não em preço.

Apesar dos esforços das empresas em desenvolver produtos adequados às necessidades e preferências de seus clientes, muitos produtos fracassam, até mesmo nas mãos das mais famosas empresas, conhecidas por sua correta aplicação dos princípios de marketing.

Nenhum comentário:

Postar um comentário